Código Civil pode reconhecer novos modelos de família no Brasil: confira detalhes

Mudanças no Direito de Família podem incluir reconhecimento expresso do casamento entre pessoas do mesmo sexo, divórcio unilateral em cartório, e classificação do estado civil de "solteiro" para "convivente" para quem vive em união estável.

Um projeto de lei em tramitação no Senado propõe uma ampla reformulação das normas que regulam casamentos, uniões estáveis, regimes de bens e divórcios no Brasil, informou O Globo nesta quarta-feira (4).

As mudanças, que têm gerado debates entre juristas, buscam atualizar o Código Civil às transformações sociais e às decisões judiciais recentes.

A iniciativa busca o reconhecimento expresso do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheça o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde 2011, a proposta incorpora esse direito explicitamente na lei, eliminando qualquer ambiguidade jurídica.

Estado civil de "solteiro" pode ser alterado para "convivente" 

O texto também equipara a união estável ao casamento em questões como partilha de bens, responsabilidade financeira, guarda de filhos e até mesmo na divisão de direitos sobre animais de estimação. Além disso, muda a classificação do estado civil de "solteiro" para "convivente" para quem vive em união estável. 

O anteprojeto de reforma do Código Civil traz uma importante inovação: o reconhecimento jurídico da "família parental", ampliando a proteção legal para arranjos familiares que até então não tinham amparo expresso na legislação.

Divórcio unilateral em cartório: como funcionaria a nova regra?

Uma das mudanças mais polêmicas da reforma do Código Civil é a previsão do divórcio extrajudicial unilateral, que permitiria a dissolução do casamento diretamente em cartório, sem necessidade de acordo mútuo. O processo exige a vontade de um dos cônjuges, consentimento da outra parte é desnecessário. Em casos de local desconhecido do cônjuge, a notificação seria feita por edital. A medida vale apenas para o aspecto conjugal - partilha de bens e guarda de filhos ainda exigiriam ação judicial. 

A medida agiliza processos onde já não há vida conjugal, elimina burocracia para vítimas de relacionamentos abusivos, alinha-se ao entendimento de que ninguém pode ser obrigado a manter vínculo conjugal. 

O projeto da lei gera preocupações, já que uma pessoa pode ter seu estado civil alterado sem saber. A falta de regulamentação clara sobre prazos e formas de notificação também causa polêmica.