
Boxeadora argelina Imane Khelif tem cromossomos masculinos, revela vazamento citado pelo NY Post

A campeã olímpica Imane Khelif, da Argélia, tem cromossomos masculinos, revela um suposto laudo laboratorial vazado e citado pelo jornal New York Post nesta segunda-feira (2).
O vazamento ocorre dias após a World Boxing, entidade que assumiu a gestão do boxe olímpico, anunciar uma nova política de testes obrigatórios de sexo a partir de julho.

De acordo com o jornal, o resultado dos testes genéticos confirmaria a presença de material cromossômico masculino (XY) na atleta, embora nenhuma declaração oficial tenha sido emitida por Khelif, sua equipe ou a Federação Argelina de Boxe.
O vazamento reacende a polêmica sobre sua participação nos Jogos de Paris 2024, onde conquistou a medalha de ouro em meio a críticas e questionamentos sobre sua elegibilidade.
A World Boxing divulgou na última sexta-feira (30) uma nova política exigindo que todos os atletas maiores de 18 anos passem por um teste PCR genético, via saliva, sangue ou swab bucal, para determinar o sexo cromossômico. O objetivo, segundo a entidade, é garantir "segurança e equidade competitiva" nas divisões masculinas e femininas.
Pedido de desculpas e polêmica
A medida gerou forte reação após a entidade citar diretamente Khelif no anúncio. Diante da repercussão negativa, o presidente da World Boxing, Boris van der Vorst, enviou uma carta à Federação Argelina de Boxe pedindo desculpas formais. "Reconhecemos que a privacidade da atleta deveria ter sido protegida", escreveu, conforme documento obtido pela Associated Press.
A menção nominal à atleta foi considerada por muitos como uma exposição indevida e, para críticos da nova política, a antecipação de um julgamento público antes mesmo da aplicação formal das regras.
Antecedentes: exclusão e retorno
Khelif e a taiwanesa Lin Yu-ting foram excluídas do Campeonato Mundial de 2023 pela antiga gestora do boxe olímpico, a IBA, sob alegações de falha em testes de elegibilidade, sem que detalhes se tornasse públicos.
Posteriormente, o Comitê Olímpico Internacional (COI) permitiu a participação de ambas em Paris 2024, aplicando as regras de edições anteriores.
Agora, sob a gestão da World Boxing, o boxe olímpico busca estabelecer parâmetros padronizados para os Jogos de Los Angeles 2028, e a elegibilidade por sexo tornou-se uma das pautas mais sensíveis.
Consequências e debate em aberto
Se confirmado oficialmente, o resultado genético pode comprometer o futuro competitivo de Khelif na categoria feminina e reacender debates sobre identidade de gênero, biologia e justiça esportiva.
O regulamento da World Boxing prevê que atletas com cromossomos masculinos que desejam competir entre mulheres passarão por avaliação clínica mais ampla, envolvendo exames hormonais e anatômicos, além de um processo de apelação.
Khelif, que pretendia competir neste mês na Eindhoven Box Cup, na Holanda, ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso nem sobre sua permanência no circuito internacional.

