Durante visita de Lula a Paris, Macron reafirmará oposição ao acordo UE-Mercosul

Pressionado por parlamentares e produtores rurais –, que consideram o tratado desvantajoso – , o presidente francês alega que o acordo não atende aos padrões ambientais e de produção exigidos.

O presidente da França, Emmanuel Macron, pretende reiterar ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que Paris se mantém contrária ao atual acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, e que essa posição não será alterada mesmo diante da guerra comercial iniciada pelo governo de Donald Trump, informou nesta terça-feira (3) a imprensa europeia, citando a agência EFE.

"Sabemos que o lado brasileiro quer conversar, mas nossa posição não mudou", revelou uma fonte no Palácio do Eliseu nesta terça, dois dias antes do início da visita de Estado de Lula à França.

O governo brasileiro reconhece que o cenário geopolítico global foi alterado pela "guerra comercial" deflagrada por Trump, o que poderia facilitar a aprovação do acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia, cujas negociações foram concluídas em dezembro de 2024.

Macron –, que segue pressionado por representantes do setor agrícola e por uma Assembleia Nacional majoritariamente contrária ao tratado –, mantém a posição de que o pacto de livre comércio não atende aos padrões ambientais e produtivos exigidos.

Durante a visita de cinco dias de Lula à França, os dois presidentes devem discutir uma agenda bilateral ampla, com a assinatura de novos acordos nas áreas de inteligência artificial, minerais críticos e transição energética. Também serão abordados temas globais, como o conflito na Ucrânia.