
Rússia põe em dúvida discurso de Macron sobre paz na Ucrânia

A Rússia colocou em dúvida o compromisso do presidente francês Emmanuel Macron com a busca por uma solução pacífica na Ucrânia, após uma reportagem revelar a presença de combatentes franceses atuando em solo ucraniano. A crítica foi feita nesta sexta-feira (30) pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, por meio de uma publicação no Telegram.
Segundo ela, cidadãos franceses foram surpreendidos com a revelação de que voluntários do país integram um grupo ucraniano chamado "Vingança Internacional", composto por estrangeiros que recebem treinamento militar e participam de operações de combate contra as forças russas.

Zakharova destacou que a ideologia do grupo levanta preocupações. "Os símbolos do grupo trazem todas as marcas do revanchismo neonazista", afirmou, mencionando o uso de crânios, imagens sombrias e o lema em latim Memento Audere Semper ("Lembre-se de ousar sempre"), frase associada ao escritor italiano e aliado de Mussolini, Gabriele D’Annunzio.
Ela classificou os combatentes como "revanchistas neofascistas franceses", afirmando que "nem sequer se escondem". Ainda segundo a diplomata, os voluntários dizem abertamente que foram à Ucrânia para lutar contra os russos "sem poupar balas" e que esperam enfrentar a Rússia em campo de batalha.
Para Moscou, o envolvimento de cidadãos franceses em atividades armadas no conflito contradiz o discurso de Macron, que vem se posicionando publicamente a favor da paz. Desde o início da escalada em fevereiro de 2022, a França já forneceu mais de 5,16 bilhões de euros em ajuda militar a Kiev, segundo o Instituto Kiel.
O Kremlin, por sua vez, voltou a alertar que considera inaceitável qualquer presença da aliança militar ocidental em território ucraniano, classificando a expansão da OTAN como uma das causas centrais do conflito.
