
Fim do veto na União Europeia seria o colapso do bloco, alerta premiê eslovaco

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, voltou a criticar abertamente a direção política da União Europeia e classificou como alarmante a ideia de eliminar o poder de veto dos Estados-membros em decisões de política externa. Segundo ele, o plano de Bruxelas "significaria o fim do bloco" e poderia se tornar "o precursor de um enorme conflito militar".
Fico fez as declarações na quinta-feira (29), durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada na Hungria. No evento, ele condenou a possibilidade de que a UE substitua o princípio da votação unânime por maioria qualificada, proposta que vem sendo discutida para evitar bloqueios por parte de países que se opõem a certas decisões.

"A imposição de uma opinião política obrigatória, a abolição do veto, a punição do soberano e dos corajosos, a nova Cortina de Ferro, a preferência pela guerra em detrimento da paz. É o fim do projeto comum europeu. É o afastamento da democracia. Este é o precursor de um enorme conflito militar", declarou o líder eslovaco.
Críticas à Ucrânia
A Eslováquia e a Hungria vêm se posicionando de forma crítica em relação ao apoio militar da UE à Ucrânia e às sanções impostas contra a Rússia. Ambos os governos já ameaçaram usar seu poder de veto para barrar medidas que consideram contrárias aos seus interesses nacionais. A proposta de Bruxelas, segundo relatos, busca justamente contornar essa resistência.
A crítica de Fico também se estende ao novo pacote de sanções que a UE prepara contra a Rússia, o 18º desde o início do conflito. Em recente visita a Moscou, ele assegurou ao presidente russo, Vladimir Putin, que vetará qualquer tentativa de proibir as importações de petróleo ou gás russo.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, compartilha da mesma visão. Embora não tenha bloqueado oficialmente as sanções, tem adiado a aprovação de pacotes para obter concessões. Orbán afirma que retirar o veto representaria uma violação da soberania de países menores e exige que Bruxelas respeite os interesses de todos os membros do bloco.
Eslováquia e Hungria têm sido vozes dissonantes dentro da União Europeia. Ambas rejeitam o reforço no envio de armas a Kiev, defendendo as negociações de paz como saída para o conflito.
