Trump promete responsabilizar imprensa por 'mentiras' do Russiagate após vitória judicial

Em 2018, investigação oficial dos EUA não encontrou evidências de conluio entre a campanha do atual chefe da Casa Branca e agentes russos nas eleições presidenciais de 2016; Vladimir Putin classificou as acusações como "histeria".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta quinta-feira (29) suas críticas à grande imprensa norte-americana após uma vitória judicial em sua ação contra o Conselho do Prêmio Pulitzer. O tribunal de apelação da Flórida rejeitou o pedido do conselho para suspender temporariamente o processo por difamação movido por Trump, permitindo que o caso avance, conforme noticiou o New York Post.

A ação foi apresentada em 2022 e contesta a premiação concedida em 2018 ao New York Times e ao Washington Post pelas reportagens sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 e os possíveis vínculos entre a campanha de Trump e o Kremlin. Segundo o presidente, os jornais teriam publicado informações enganosas com motivações políticas, o que, na sua avaliação, comprometeu a credibilidade da premiação.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os veículos "foram premiados por reportagens falsas". Segundo ele, "não podemos permitir que isso aconteça nos Estados Unidos da América".

"Estamos responsabilizando a Mídia de Notícias Falsas por suas MENTIRAS ao Povo Americano, para que possamos, juntos, TORNAR A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!", complementou o presidente norte-americano.

Suspensão negada

A presidente do conselho do Prêmio Pulitzer, Elizabeth Alexander, defendeu o adiamento do julgamento, alegando que a condição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos justificaria a suspensão temporária do processo. Em sua argumentação, afirmou que "a suspensão do caso evitará conflitos constitucionais" e que a participação do chefe do Executivo "interferirá em seus deveres e responsabilidades oficiais perante a Constituição".

Apesar da solicitação, o tribunal negou o pedido. Segundo a decisão, "o Presidente, em virtude de sua posição única, é excepcionalmente qualificado para determinar como usar seu tempo, avaliar a atenção que uma ação judicial exigirá e decidir se isso o distrairá de seus negócios oficiais".

Russiagate

Washington, durante o governo Barrack Obama, acusou Moscou de interferir nas eleições americanas de 2016. No entanto, em 2018, o Comitê de Inteligência da Câmara dos EUA encerrou a investigação retomada em 2017 sobre a suposta interferência russa no pleito presidencial daquele ano, sem encontrar evidências de conluio entre a campanha do então candidato Donald Trump e agentes russos.

Naquele mesmo ano, jornalistas do The New York Times e do The Washington Post receberam o Prêmio Pulitzer por reportagens que sustentavam a narrativa da suposta intervenção russa, usada pelos democratas para justificar a derrota eleitoral. Em 2023, um estudo divulgado pelo próprio Washington Post revelou que as chamadas "contas russas" no Twitter, atualmente conhecido como X, não tiveram impacto nas eleições.

A Rússia rejeitou as acusações como infundadas, e o presidente Vladimir Putin classificou o caso como "histeria".

"Alguém realmente acha que a Rússia pode influenciar as escolhas do povo americano? Os EUA são uma espécie de república das bananas?", disse o líder russo.