Notícias

Primeiro-ministro da Eslováquia critica declarações de chanceler alemão sobre suspensão de fundos

Robert Fico afirmou que os comentários de Friedrich Merz são "inaceitáveis" e contrários à cooperação europeia.
Primeiro-ministro da Eslováquia critica declarações de chanceler alemão sobre suspensão de fundosGettyimages.ru

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, classificou como "absolutamente inaceitáveis" as declarações do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, que sugeriu a possibilidade de sanções europeias, incluindo o corte de financiamento da União Europeia, caso a Eslováquia continue se afastando das diretrizes do bloco.

A fala foi feita nesta terça-feira (27), em resposta a declarações de Merz durante um evento em Berlim.

"As palavras do chanceler alemão são absolutamente inaceitáveis na Europa moderna", disse Fico, acrescentando que "assim não se promove coesão nem cooperação". Ele também afirmou esperar que esse tipo de abordagem seja revista, chamando-a de "contraproducente".

Para o premiê eslovaco, "a política de opinião obrigatória nega a soberania e a democracia". Ele alertou: "Se ouvimos esses comentários agressivos, tenho a sensação de que não estamos no caminho certo". Fico ainda reforçou que "as posições soberanas da Eslováquia não são baseadas na vaidade, mas nos nossos interesses nacionais".

As tensões aumentaram após a participação de Friedrich Merz na conferência WDR Europaforum, na qual ele mencionou que o governo alemão considera suspender o repasse de fundos europeus à Eslováquia, caso o país continue contrariando as políticas comuns da União Europeia. Questionado sobre os posicionamentos críticos da Hungria e da Eslováquia em temas como o conflito ucraniano, Merz declarou que, em sua visão, os Estados-membros que violarem o Estado de Direito podem enfrentar processos de infração.

UE tenta reprimir vozes divergentes, diz premiê

Robert Fico, assim como o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defende uma solução diplomática para o conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022. Ambos têm priorizado o diálogo com Moscou e criticado o isolamento do país.

Além disso, Eslováquia e Hungria vêm se opondo às sanções impostas por Bruxelas contra a Rússia. Em maio, Fico declarou que apoiaria um referendo sobre a suspensão das sanções anti russas em seu país, chamando-as de "uma praga" que prejudica toda a União Europeia.

A Hungria já perdeu acesso a mais de 1 bilhão de dólares em fundos da UE após a abertura de um processo de condicionalidade em 2022, por supostas irregularidades em contratos públicos e falta de controle e transparência. O Conselho Europeu também avalia suspender o direito de voto do país no órgão.