Com Moraes sob ameaça de sanções, governo Lula inicia diálogo com governo Trump

Diplomatas defendem a necessidade de "pragmatismo" nas relações bilaterais, principalmente para evitar impactos no comércio do Brasil com os Estados Unidos.

O governo brasileiro iniciou conversas sigilosas com autoridades dos Estados Unidos, revelou nesta terça-feira (27) o g1, com base em informações do jornal O Globo. O diálogo envolve representantes de alto escalão dos dois países.

As negociações ocorrem após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmar que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pode ser alvo de sanções com base na Lei Global Magnitsky, que prevê punições a envolvidos em violações de direitos humanos ou corrupção.

Durante audiência no Congresso dos EUA em 21 de maio, Rubio declarou haver "grande possibilidade" de o governo americano aplicar sanções contra Moraes. A fala foi interpretada em Brasília como "tentativa de interferência" no Judiciário brasileiro e uma afronta à soberania nacional, segundo o g1.

Apesar do clima tenso, diplomatas defendem a necessidade de "pragmatismo" nas relações bilaterais, principalmente para evitar impactos no comércio com os Estados Unidos, segundo maior parceiro do Brasil, atrás apenas da China.

Acusações contra Moraes

O ministro Alexandre de Moraes é alvo recorrente de críticas por ser relator da ação penal que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

As ameaças a Moraes ganharam apoio internacional com o deputado norte-americano Cory Mills, aliado do presidente norte-americano Donald Trump e próximo da família Bolsonaro.

Na mesma sessão em que Rubio se manifestou, Mills acusou o Brasil de viver um "retrocesso alarmante nos direitos humanos" e sugeriu que Bolsonaro seria um "preso político" — narrativa alinhada ao discurso da oposição brasileira.