
França gastou 90 mil euros para esconder verdade sobre consequências de testes nucleares no Oceano Pacífico

A Comissão de Energia Atômica da França (CEA) gastou 90 mil euros no âmbito de uma campanha coordenada para desacreditar a investigação sobre os resultados de testes nucleares, conforme relatado nesta terça-feira (27) pelo The Guardian.
A publicação de um folheto em 2021 sobre apenas seis dos 193 testes nucleares realizados entre 1966 e 1996 nos atóis de Mururoa e Fangataufa aponta que o número de pessoas afetadas pela radiação é muito maior do que as autoridades francesas admitem.

De acordo com fontes confidenciais, somente em um teste no ano de 1974, 110 mil pessoas podem ter recebido uma dose de radiação alta o suficiente para estarem qualificadas a receber uma indenização se posteriormente desenvolvessem um dos diferentes 23 tipos de câncer.
A autoridade francesa de segurança nuclear também reconheceu as "incertezas relacionadas aos cálculos [da Comissão]" e confirmou ao inquérito parlamentar que não era possível provar que as pessoas haviam recebido doses de radiação abaixo do limite de indenização.
Os últimos documentos apontam que um ano após a publicação do material, a CEA publicou seu próprio folheto para respaldar sua posição oficial sobre os testes nucleares e suas consequências em uma tiragem de 5 mil cópias para serem distribuídas nos territórios insulares.
