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FDI usa civis palestinos como escudos humanos em Gaza, relata imprensa

Prática conhecida como 'protocolo mosquito' teria se intensificado a partir de 2024, dizem vítimas e soldados.
FDI usa civis palestinos como escudos humanos em Gaza, relata imprensaAP / Breaking the Silence

As Forças de Defesa de Israel (FDI) utilizam escudos palestinos como escudos humanos em operações na Faixa de Gaza, segundo testemunhos obtidos pela agência Associated Press (AP) e divulgados nesta segunda-feira (26).

Civis detidos são obrigados a entrar em casas e túneis para verificar a presença de explosivos ou militantes do grupo Hamas antes da entrada das tropas israelenses.

De acordo com a reportagem, sete palestinos afirmaram ter sido solicitados a participar da prática, além de dois soldados israelenses que confirmaram sua execução. Um dos relatos é de Abu Hamadan, que disse ter passado 17 dias conduzindo inspeções em casas e buracos no chão em busca de túneis, após ser separado de sua família por militares israelenses para uma "operação especial".

Após Hamadan dar um sinal, os soldados avançavam nos edifícios e os destruíam. O palestino relatou que passou noites trancado em um quarto escuro e repetiu a tarefa no dia seguinte.

Oficiais relataram que a prática ganhou força após o início do conflito entre Israel e Hamas, em outubro de 2023, e se tornou comum em meados de 2024. Ela foi apelidada de "protocolo mosquito", enquanto os civis usados ​​eram chamados de "vespas" ou por outros termos pejorativos.

Ainda segundo os relatos, as ordens para buscar os civis foram transmitidas por rádio, usando abreviações de conhecimento geral entre os soldados. Os superiores não apenas toleravam a prática, como muitas vezes a solicitavam diretamente.

Um dos soldados afirmou que sua unidade tentou recusar a utilização de escudos humanos em meados de 2024, mas um oficial de alta patente teria dito que "não deveria se preocupar com o direito internacional humanitário" e que "não havia outra opção".

Organizações de direitos humanos alegam que o uso de civis palestinos como escudos tanto em Gaza quanto na Cisjordânia é recorrente há décadas, apesar de o Supremo Tribunal de Israel ter proibido a prática oficialmente em 2005.