Ultranacionalistas em Israel gritam "morte aos árabes" em marcha do Dia de Jerusalém

Grupos religiosos e de extrema-direita participaram de ato que celebra a ocupação de Jerusalém Oriental, em 1967

Grupos de ultranacionalistas israelenses e judeus religiosos gritaram frases como "morte aos árabes" e "que sua aldeia queime" durante a marcha do Dia de Jerusalém, realizada nesta segunda-feira (26). A data marca a ocupação de Jerusalém Oriental por tropas israelenses durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

A marcha é um evento anual e reúne milhares de pessoas, principalmente jovens religiosos. Segundo a emissora France 24, durante a manifestação, esses grupos atacaram lojas árabes na Cidade Velha, embora muitos comerciantes tenham fechado seus estabelecimentos antecipadamente, temendo possíveis agressões.

Antes do início da marcha, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, do partido de extrema-direita Poder Judaico, subiu ao Monte do Templo, local mais sagrado do judaísmo, acompanhado de aliados. 

Em discurso diante da Grande Sinagoga de Jerusalém, Ben-Gvir defendeu uma postura mais agressiva por parte do governo israelense. "A vitória precisa ser ainda mais consolidada. Avançaremos em direção a Gaza e triunfaremos!" proclamou, segundo o portal Noticias de Israel.

O ministro, ainda, criticou a decisão do governo de permitir ajuda humanitária a Gaza. "Digo claramente ao Primeiro-Ministro: não devemos fornecer-lhes combustível nem ajuda. Nossos inimigos merecem apenas uma bala na cabeça!" declarou.

Em outro momento, exigiu que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprove a pena de morte para terroristas palestinos. 

Desde 1967, após a ocupação da parte oriental da cidade, um acordo entre autoridades religiosas israelenses e muçulmanas permite que judeus visitem o Monte do Templo, onde está localizada a mesquita de Al-Aqsa, um dos locais mais sagrados do Islã, mas sem a realização de orações.

Durante o mesmo dia, um grupo de ultranacionalistas hebreus, que incluía um membro do Parlamento israelense, invadiu um complexo urbano administrado pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA)