Rússia manifesta preocupação com impacto da IA na educação: 'aprender é esforçar-se'

Serguéi Kravtsov afirmou que tecnologias como a IA podem desvalorizar o aprendizado e causar impactos severos

Durante o ciberfestival Positive Hack Days, realizado na Rússia, o uso da inteligência artificial (IA) na educação foi tema de um debate que expôs preocupações sobre os rumos do ensino diante do avanço tecnológico.

O jornalista russo Vladímir Pózner afirmou que a IA ameaça um dos principais motores do desenvolvimento humano: o esforço para aprender.

"Aprender, no sentido amplo da palavra, é esforçar-se. Estas novas tecnologias oferecem a oportunidade de conseguir tudo sem nenhum esforço. Não valorizamos o que obtemos sem esforço. Não é caro. Perdemos a motivação", disse Pózner. A declaração foi feita durante uma conversa com o ministro da Educação da Rússia, Sergey Kravtsov.

Ao ser questionado sobre os impactos da IA no sistema educacional, Kravtsov concordou com o alerta e classificou a tecnologia como um desafio significativo. Segundo ele, a facilidade promovida por essas ferramentas pode comprometer a essência do aprendizado.

"Se pode nascer e receber imediatamente um diploma de educação superior na Internet e utilizá-lo. E é claro que isso levará, talvez não à estagnação, mas terá consequências muito sérias", respondeu o ministro.

A fala de Kravtsov reforça o receio de que o uso desmedido de ferramentas como assistentes virtuais e geradores de conteúdo comprometa a qualidade do ensino e incentive atalhos que esvaziam o processo formativo.

O evento reuniu especialistas em tecnologia, representantes do governo e profissionais de comunicação para debater os limites e possibilidades da IA, especialmente em áreas sensíveis como a educação.