Um monumento foi erguido na República de Tuva, no Sul da Rússia, em homenagem ao jovem soldado Sotpa Shalgan, conhecido pelo codinome "Xamã". Com apenas 18 anos, ele morreu durante um confronto na região de Donetsk, ao se sacrificar para salvar a vida de nove colegas.
A estátua foi instalada na vila de Yiyi Tal, ao lado da escola onde ele estudou, e sua inauguração está prevista para os próximos dias.
A escultura foi financiada com o dinheiro recebido pela família após a morte do combatente. A mãe de Sotpa, Tatiana, contou à RT que o artista responsável pela obra, Radomir Balgan, queria ter ido para a linha de frente, mas foi impedido por problemas de saúde. "Agradeço muito a ele por ajudar a eternizar a memória dos nossos filhos. Isso não tem preço", disse ela.
Sotpa Shalgan nasceu em Kyzyl, capital da República de Tuva, e atuava como lançador de granadas. Ele servia na direção de Pokrovskoe, na República Popular de Donetsk (DNR, na sigla em russo). Na sua última missão, foi o primeiro a se voluntariar para liderar o grupo.
Um de seus companheiros de batalha, identificado pelo codinome "Fotógrafo", relatou à RT os momentos finais do jovem:
"Era noite. Estávamos à frente do grupo e ele se ofereceu para ir primeiro. O comando confiava no Xamã. Ele era um soldado responsável e corajoso, cumpria todas as ordens com precisão".
O grupo foi identificado por um drone inimigo. O primeiro ataque com explosivos, lançado por um sistema aéreo apelidado de "Baba Yaga", falhou. Mas segundo "Fotógrafo", eles sabiam que o segundo ataque seria mais preciso.
"O Xamã gritou para que corrêssemos para o lado e, em seguida, correu para um campo aberto, atraindo o fogo inimigo para si. Ele acabou morrendo, mas graças a ele nós sobrevivemos".
Pelo ato, Shalgan foi condecorado postumamente com a Ordem da Coragem, uma das mais altas honrarias militares da Rússia.
Tatiana conta que o filho sempre sonhou em ser militar. Desde pequeno admirava homens fardados, estudava história e, ao terminar o colégio, foi direto ao centro de alistamento.
"Ele correu para o alistamento assim que completou 18 anos. Mas foi reprovado na inspeção médica por causa de um problema cardíaco. Quando eu estava em viagem de trabalho, ele assinou um contrato e foi para a zona de operações militares especiais".
Ela lembra que o filho se comunicava quase diariamente com a família. Em uma das conversas por vídeo, admitiu: "Mãe, aqui é assustador, mas não me arrependo de ter vindo. Realizei meu sonho e sou muito necessário aqui.”
Pouco antes de morrer, Shalgan escreveu uma carta comovente para o padrasto, Aydys, e mandou uma mensagem à mãe. "Você vai se orgulhar de mim. Eu serei um herói", disse.
Após a morte do soldado, um colega que testemunhou sua última missão enviou uma mensagem à mãe de Shalgan. "Obrigado por um filho tão educado, bondoso e forte. Lutamos com honra uns pelos outros e continuamos lutando. A pátria está em dívida com vocês".