A Rosneft, uma das maiores petrolíferas da Rússia, tornou-se a única empresa com licença para explorar a área do depósito de metais de terras raras de Tomtor, localizada na região norte da Yakutia, a cerca de 400 quilômetros do Mar de Laptev.
Estima-se que um total de 154 milhões de toneladas de minério possam ser extraídos em Tomtor. Trata-se de um dos maiores depósitos de terras raras do mundo, com reservas de monazita, pirocloro, nióbio, ítrio, escândio, cério, praseodímio, samário e titânio.
Conforme relatado pela Bloomberg em abril, o projeto foi mencionado como um possível campo de cooperação entre Rússia e EUA caso seja firmado um acordo de paz para o conflito ucraniano. A agência observou que projetos conjuntos no Ártico, bem como na área de petróleo, gás natural e minerais de terras raras, estavam entre as opções a serem consideradas em uma possível parceria oferecida por Washington como parte de um acordo de paz.
"Recurso estrategicamente importante"
Em novembro de 2024, o presidente russo Vladimir Putin, durante reunião com seu vice-primeiro-ministro Denis Manturov, chamou atenção à necessidade de desenvolver o campo de Tomtor, enfatizando que se trata de "um recurso estrategicamente importante do qual o Estado necessita no momento".
"E as estruturas corporativas que pegaram esses depósitos para si muitos anos atrás não estão investindo recursos. É preciso conversar com eles e resolver esta questão: eles devem ou fazer investimentos ou de alguma forma firmar parcerias com outras empresas, com o Estado", disse Putin na ocasião.
As chamadas "terras raras" são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para uma ampla gama de atividades industriais, desde eletrônicos e carros elétricos até a fabricação de equipamentos militares. Atualmente, a China domina a produção mundial de elementos de terras raras, descritos como "ouro industrial", já que são difíceis de serem explorados e processados.
No entanto, como observa o portal de investimentos russo Arctic, "o projeto Tomtor foi concebido para reverter essa situação e mudar radicalmente o mercado global. (...) Nosso país poderá se tornar um dos maiores exportadores de metais e elementos de terras raras e competir neste aspecto com a China, que continua a ditar suas próprias condições. O mais importante é que o projeto dará origem a um novo ramo da indústria russa", destacam.