
Foto de suposto 'genocídio branco' exibida por Trump não é da África do Sul, revela autor

A imagem apresentada por Donald Trump como evidência de um suposto "genocídio branco" na África do Sul foi, na verdade, registrada na República Democrática do Congo (RDC). A fotografia, usada durante uma reunião com o chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, mostrava trabalhadores humanitários levantando sacos com corpos na cidade de Goma, a leste da RDC.
A captura do momento foi feita em 03 de fevereiro por um cinegrafista da agência Reuters, Djaffar Al Katanty, durante cobertura jornalística sobre ataques de rebeldes do M23. Segundo a própria Reuters nesta quinta-feira (22), a imagem faz parte de um vídeo publicado pela agência na época e não tem qualquer relação com a África do Sul ou com assassinatos de agricultores brancos.

A imagem foi apresentada como suposta prova de crimes contra agricultores brancos. Exibida ao lado de manchetes e recortes de jornais, a fotografia foi utilizada pelo presidente dos EUA para sustentar a narrativa de perseguição racial na África do Sul.
Em seguida, Trump passou a folhear cópias impressas de textos que, segundo ele, detalhavam assassinatos de sul-africanos brancos, dizendo: "Morte, morte, morte, morte horrível".
O presidente sul-africano rebateu as declarações e negou que haja perseguição racial em seu país. Segundo dados oficiais, a maioria das vítimas de homicídio na África do Sul são pessoas negras e os casos registrados em áreas agrícolas representam uma pequena fração do total de crimes violentos.
Surpresa
Al Katanty explicou que precisou negociar diretamente com o M23 e coordenar com o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) para obter acesso à área.
Ao ver sua imagem sendo utilizada no encontro presidencial, o cinegrafista expressou surpresa. "Diante de todo o mundo, o presidente Trump usou minha imagem, usou o que eu filmei na RDC para tentar convencer o presidente Ramaphosa de que, em seu país, pessoas brancas estão sendo mortas por pessoas negras".
