Em sua primeira coletiva de imprensa desde dezembro nesta quarta-feira (21), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o exército israelense controlará todas as áreas da Faixa de Gaza ao final da atual ofensiva.
Segundo ele, o líder do Hamas, Muhammad Sinwar, foi "aparentemente" morto em uma operação militar recente, informou o jornal Al Jazeera.
Netanyahu também declarou que "Israel derrotará o Hamas" e que pode aceitar um cessar-fogo temporário, desde que sejam cumpridas condições como o desarmamento da Faixa de Gaza, o fim do controle do território pelo grupo e a libertação de todos os reféns. O premiê confirmou que 20 reféns seguem vivos e que outros 38 morreram.
Ao ser questionado sobre a ajuda humanitária, Netanyahu declarou que a distribuição será feita por etapas, em um plano elaborado com os Estados Unidos, com o objetivo de garantir que a comida "alcance crianças sem passar pelo Hamas". Ele acrescentou que os moradores de Gaza serão redirecionados para o norte do território, sem explicar como o processo será implementado.
"Estamos ficando sem tempo"
Enquanto isso, Israel intensifica sua ofensiva sobre Gaza. Desde o amanhecer desta quarta-feira (21), ao menos 82 palestinos foram mortos em bombardeios, segundo autoridades locais.
O Ministério da Saúde de Gaza estima 53.573 mortos e 121.688 feridos desde o início da guerra, enquanto que o Escritório de Imprensa do Governo local eleva o número de mortos para mais de 61.700, incluindo desaparecidos sob os escombros.
A ONU informou que nenhuma ajuda foi distribuída em Gaza nesta quarta-feira, devido às restrições impostas por Israel, embora alguns caminhões tenham conseguido entrar no enclave.
A Diretora Executiva da UNICEF, Catherine Russell, alertou que crianças "continuam sendo mortas, feridas e privadas de ajuda" e que os poucos veículos com suprimentos "estão longe de ser suficientes e ainda não chegaram aos que mais precisam". Ela reforçou a gravidade da crise humanitária: "estamos ficando sem suprimentos dentro de Gaza, e estamos ficando sem tempo".
No mesmo dia, tropas israelenses dispararam contra uma delegação de diplomatas internacionais em Jenin, na Cisjordânia ocupada, provocando condenações e pedidos de investigação por parte de países europeus e do chefe da diplomacia da União Europeia. Israel alegou que os disparos eram preventivos, servindo como advertência, e lamentou "qualquer inconveniente".