O governo francês pretende construir um presídio de segurança máxima para traficantes de drogas e extremistas no município de Saint-Laurent-du-Maroni, território ultramarino na Amazônia, próximo à fronteira com o Brasil, informou o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, em uma entrevista ao jornal francês Journal du Dimanche no domingo (18).
O projeto, orçado em US$ 450 milhões (R$ 2,5 bilhões) e com inauguração prevista para 2028, gerou protestos de moradores e lideranças locais, que acusam Paris de impor decisões sem diálogo e reviver o período colonial, conforme destaca o g1.
Justificativa de Paris: "Isolar os mais perigosos"
O presídio, com capacidade para 500 detentos, terá 60 vagas de segurança máxima — 15 delas reservadas a condenados por extremismo islâmico, conforme explica o jornal francês.
Gérald Darmanin defendeu a construção da estrutura na entrevista: "Sessenta vagas, um regime prisional extremamente rigoroso e um objetivo — retirar de circulação os perfis mais perigosos envolvidos no tráfico de drogas".
O ministro francês, que visitou a região na última semana junto com o presidente Emmanuel Macron, argumentou que a localização isolada na Amazônia poderia ajudar a "isolar permanentemente os chefes das redes de tráfico".
Raízes coloniais e protestos locais
A escolha de Saint-Laurent-du-Maroni não é casual: a cidade abrigou o Campo Penal de Saint-Laurent-du-Maroni, uma colônia penal que operou entre os séculos XIX e XX para onde eram enviados presos políticos franceses, incluindo os da Ilha do Diabo.
Para as autoridades locais, reviver essa história é inaceitável, destaca o g1.
"É, portanto, com espanto e indignação que os membros eleitos da Coletividade descobriram, junto com toda a população da Guiana, as informações detalhadas no Le Journal du Dimanche", escreveu, segundo a mídia brasileira, Jean-Paul Fereira, presidente interino da Coletividade Territorial da Guiana Francesa, criticando a falta de consulta prévia.
O deputado Jean-Victor Castor foi mais duro. "É um insulto à nossa história, uma provocação política e um retrocesso colonial", afirmou, exigindo o cancelamento do projeto.
Dilema da segurança contra autonomia
Saint-Laurent-du-Maroni é um hub do narcotráfico para a Europa, já que os traficantes tentam usar voos diretos para Paris, escondendo drogas no corpo ou na bagagem.
Destaca-se também o alto nível de homicídios. A Guiana Francesa, território com apenas 300 mil habitantes, registrou 20,6 homicídios por 100 mil pessoas em 2023, o que é 14 vezes acima da média nacional francesa.
"Embora todos os representantes locais tenham, há muito tempo, solicitado medidas fortes para conter o aumento do crime organizado em nosso território, a Guiana não deve se tornar um depósito de criminosos e pessoas radicalizadas vindas da França continental",afirmou Jean-Paul Fereira, segundo o veículo.
Ele lembrou que a construção da prisão foi prevista até em 2017, mas deveria servir para aliviar a lotação das prisões no território europeu.