Turquia 'está feliz' em continuar mediando conflito na Ucrânia, afirma Erdogan

Presidente da Turquia afirma o "maior desejo" de Ancara é ver Moscou e Kiev chegarem a um "resultado definitivo" nas negociações de paz.

A Turquia está disposta a continuar atuando como mediadora entre Rússia e Ucrânia para ajudar a encerrar o conflito iniciado em 2022. A afirmação foi feita no último sábado (17) pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, após a realização de uma rodada de negociações diretas entre representantes dos dois países em Istambul, a primeira desde 2022.

Segundo Erdogan, a reunião foi um passo importante rumo à paz. "Reunir as delegações dos dois países em Istambul é extremamente importante para o estabelecimento da paz na região", afirmou o presidente, conforme publicado pela emissora estatal turca TRT Haber.

O líder de Ancara afirmou que seu governo vai além dos apelos pelo fim do conflito: "Não estamos apenas dizendo 'que a guerra acabe', também estamos propondo métodos, preparando o terreno e fazendo apelos para isso".

Erdogan reforçou que a Turquia seguirá atuando para garantir a continuidade das negociações. "Nosso maior desejo é obter um resultado definitivo nas conversas de paz. Por isso, estamos determinados a continuar com nosso papel de mediação para o fim desta guerra. Faremos todo o possível para manter abertos os canais de diálogo e dar continuidade às negociações entre as partes", afirmou, destacando que o conflito "não pode ser resolvido militarmente".

Na reunião de duas horas realizada em Istambul, Rússia e Ucrânia concordaram em realizar uma troca de prisioneiros em larga escala, além de apresentar os termos preliminares para um possível cessar-fogo e discutir uma nova rodada de encontros.

Desde 2022, a Turquia tem sido uma das principais mediadoras entre Moscou e Kiev. Naquele ano, sediou um encontro entre os dois países, que não avançou para um acordo. Segundo Moscou, a negociação teria sido frustrada por interferência do então primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que teria aconselhado o governo ucraniano a rejeitar um pacto e seguir lutando.

Além das tentativas de negociação de paz, a Turquia tem atuado como intermediária em diversas trocas de prisioneiros ao longo do conflito.

O governo russo afirmou estar aberto ao diálogo e disposto a considerar um cessar-fogo com a Ucrânia, mas expressou preocupação com a possibilidade de Kiev usar a trégua para reestruturar suas forças armadas e receber mais armamentos de países ocidentais.