
Brasil registra menor número de nascimentos desde 1976, aponta IBGE

O número de nascimentos registrados no Brasil em 2023 foi o mais baixo em 47 anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e publicados pela Agência Brasil nesta sexta-feira (16). Foram contabilizados 2,52 milhões de nascidos vivos, quantidade inferior à de 2022 e a menor desde 1976.

A redução foi de 0,7% em comparação ao ano anterior. O IBGE aponta que a queda foi registrada em todas as regiões do país, com exceção do Centro-Oeste, que teve um aumento de 1,1%.
Entre as unidades da federação, 18 apresentaram retração, com destaque para Rondônia (-3,7%), seguida por Amapá (-2,7%), Rio de Janeiro (-2,2%), Bahia (-1,8%) e São Paulo (-1,7%). Já entre os nove estados que registraram crescimento, destacam-se Tocantins (3,4%) e Goiás (2,8%).
Veja a seguir a taxa de natalidade dos últimos anos no país:
2018: 2,9 milhões
2019: 2,81 milhões
2020: 2,68 milhões
2021: 2,64 milhões
2022: 2,54 milhões
2023: 2,52 milhões
De acordo com a gerente da Pesquisa de Registro Civil, Klivia Brayner de Oliveira, "As mulheres estão adiando a vontade de querer ter filhos, dando prioridade para estudos".
Mãe após os 30 anos
Em 2003, 20,9% dos nascidos foram gerados por mulheres com até 19 anos, percentual que caiu para 11,8% em 2023.
O levantamento também mostra o avanço da participação de mães com 30 anos ou mais, que passaram a representar 39% dos nascimentos no país. Entre as mulheres com 40 anos ou mais, a participação dobrou nas últimas duas décadas, passando de 2,1% para 4,3%. Em 2023, mais de 109 mil nascimentos foram registrados nessa faixa etária.
Ao observar os dados por região, nota-se que o Norte e o Nordeste tiveram, em 2023, as maiores proporções de mães com até 19 anos, representando 18,7% e 14,3% dos nascimentos, respectivamente. No Sul, esse percentual foi de 8,8%.
Estados com maior percentual de mães até 19 anos em 2023:
Acre: 21,4%
Amazonas: 20,5%
Pará: 19,2%
Maranhão: 18,9%
Roraima: 17,9%
Amapá: 17,8%
Estados com maior proporção de mães com 30 anos ou mais em 2023:
Distrito Federal: 49,4%
Rio Grande do Sul: 44,3%
São Paulo: 44,3%
Santa Catarina: 42,9%
Minas Gerais: 42,8%
Segundo a pesquisadora Klivia de Oliveira, a maior incidência de mães jovens nas regiões Norte e Nordeste está relacionada a fatores culturais e a condições de vulnerabilidade, como o acesso limitado a serviços de saúde para orientação sobre métodos contraceptivos, além da ausência de perspectivas econômicas e sociais.
"Mulheres menos favorecidas economicamente, com mais dificuldade, tendem a ter mais filhos", complementou.

