PF cumpre novos mandados em investigação sobre venda de sentenças no STJ

Rede empresarial-financeira é suspeita de lavar dinheiro para ocultar compra de decisões judiciais.

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta terça-feira (13) uma nova fase da operação Sisamnes, voltada à apuração de um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação ocorre nos estados de Mato Grosso, São Paulo e no Distrito Federal, com cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão e sequestro de bens e valores que somam R$ 20 milhões.

A operação investiga crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, mercado de câmbio clandestino e organização criminosa. A PF afirma que identificou uma rede financeira-empresarial estruturada para dissimular a origem dos recursos usados na compra de decisões judiciais.

De acordo com a corporação, o objetivo do esquema seria impedir que agentes públicos fossem diretamente ligados aos corruptores.

Os passaportes dos investigados foram apreendidos. A investigação, conduzida sob sigilo, tem como relator no Supremo Tribunal Federal (STF) o ministro Cristiano Zanin, responsável pela autorização das diligências. Até a publicação desta matéria, o STJ não se pronunciou

Operação Sisamnes

A operação foi deflagrada pela primeira vez em novembro de 2024. Na ocasião, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão, três deles contra servidores do STJ, afastados de suas funções. Entre os nomes estão: Daimler Alberto de Campos, chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti; Rodrigo Falcão de Oliveira Andrade, do ministro Og Fernandes; e Márcio José Toledo Pinto, ex-assistente de diversos gabinetes.

As investigações tiveram início após a análise do celular de Roberto Zampieri, advogado assassinado em 2023 no Mato Grosso. As mensagens encontradas no aparelho levaram à abertura de um inquérito contra dois desembargadores do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT): Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho.

Conforme apontado por Zanin, o conteúdo revelou "amplo arcabouço" de diálogos com "espúrias negociações". A suspeita é de que os magistrados tenham recebido vantagens financeiras para beneficiar processos de interesse do advogado morto.

A PF também apura a existência de uma rede de intermediação envolvendo empresários, advogados, lobistas e servidores do Judiciário.