O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, denunciou nesta quarta-feira as tentativas da Estônia, país da OTAN e da União Europeia (UE), em sabotar sua ida às comemorações do 80º aniversário do "Dia da Vitória" em Moscou.
"A Estônia nos informou há alguns minutos que não nos permitirá sobrevoar seu território", comunicou o premiê, ressaltando que normalmente seu país possui "permissão durante todo o ano para usar o espaço aéreo estoniano para nossa comitiva governamental".
Para Fico, esta é uma clara tentativa de impedir sua participação nas celebrações da Rússia. Ele comunicou que a atitude do país europeu impedirá sua presença em compromissos agendados para a noite do dia 8 de maio, devido a necessidade de tomar uma rota alternativa.
Contudo, o premiê ressaltou que pretende participar da cerimônia da colocação de coroas de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, na manhã do dia 9 de maio. Ele também informou que terá quatro reuniões bilaterais "extremamente importantes" na ocasião, sendo uma com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Logo depois, a imprensa eslovaca informou que a Lituânia e a Letônia também fecharam seu espaço aéreo para a comitiva oficial de Fico. Anteriormente, ambos os países já haviam impedido a comitiva do presidente sérvio, Aleksandar Vučić, de passar pelo país para chegarem à Rússia.
Sob ameaça de "punição"
Na terça-feira (6), o premiê eslovaco afirmou ter recebido ameaças de punição, caso comparecesse às celebrações em Moscou. Na ocasião, Fico questionou sobre qual seria a relação entre as celebrações que marcam o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, no país que "suportou o maior fardo" do conflito, com a situação política atual.
Ele observou ainda que os países europeus estão tentando erguer uma "cortina de ferro" ao redor da Rússia e reescrever a história, apagando as conquistas dos soldados do Exército Vermelho na derrota do nazismo. Fico afirmou que fará tudo para garantir que a Eslováquia não faça parte disso.
"Vergonha"
O chanceler russo, Sergey Lavrov, comentou as medidas tomadas pelos países europeus para sabotar a presença de líderes nas celebrações, qualificando-as como uma "vergonha".
"É claro, é uma vergonha", denunciou o chefe da diplomacia russa em uma entrevista com o jornalista russo Pavel Zarubin, publicada nesta quarta-feira.
Além disso, o ministro ressaltou que a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, instou nesta quarta-feira a aceleração do processo de adesão da Ucrânia à União Europeia; enquanto isso, as autoridades europeias seguem exigindo que a Sérvia se junte às sanções anti-russas e concorde em perder sua região integrante de Kosovo.