
Por que o câncer de cólon cresce entre os jovens?

Um novo estudo aponta que a perda precoce da proteína p53, fundamental na prevenção de tumores, pode estar relacionada ao aumento de casos de câncer colorretal entre jovens adultos. A pesquisa mostra que a degradação da p53, associada à elevação dos níveis da proteína URI, favorece o desenvolvimento e a progressão da doença.
Conhecida como "guardiã" do genoma, a p53 atua inibindo a multiplicação de células danificadas. Os cientistas identificaram que, nos estágios iniciais do câncer de cólon, a proteína desaparece enquanto a URI se eleva, criando um ambiente propício à formação de adenomas, lesões pré-cancerosas.
"Os níveis de URI começam a subir muito cedo, levando à formação do adenoma. E é nesse momento que a p53 começa a se degradar", explica Irene Herranz-Montoya, autora principal do estudo.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer (CNIO), na Espanha, e publicada no início de maio de 2025 na revista Nature Communications.
Com base em experimentos em camundongos, os cientistas verificaram que a eliminação da URI ou o reforço da p53 impediram a evolução dos pólipos para tumores. Os resultados sugerem que esses mecanismos podem ser alvos de estratégias preventivas contra o câncer colorretal — o segundo mais letal do mundo.
A pesquisa também revelou que a URI é controlada pelo oncogene MYC, já relacionado a diversos tipos de câncer e influenciado por fatores ambientais e de estilo de vida, como má alimentação — o que reforça a ligação entre hábitos modernos e o avanço da doença em jovens.

"Se estudarmos melhor como a URI e a degradação da p53 se comportam, podemos intervir mais cedo e impedir que a doença avance para formas mais agressivas", diz Herranz.
Outro achado relevante é que a perda da função da p53 ocorre de forma independente da mutação no gene TP53, geralmente associada às fases mais avançadas do câncer. Isso indica dois processos distintos: primeiro, a perda funcional da proteína; depois, a mutação genética.
Para os autores, entender essa dinâmica é fundamental para explicar a crescente incidência do câncer de cólon em pessoas mais jovens e pode abrir caminho para novas formas de prevenção e tratamento baseadas na identificação precoce da doença.
