Neste sábado (27), milhares de argentinos se reuniram na Praça de Maio em frente à Catedral Metropolitana de Buenos Aires para prestar as últimas homenagens ao Papa Francisco. Diversas autoridades políticas estiveram presentes na ocasião, como a vice-presidente Victoria Villarruel, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, entre outros.
''Choramos porque o pai de todos morreu, choramos porque já sentimos no coração sua ausência física. Choramos porque nos sentimos órfãos'', lamentou o arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, segundo informou a RTVE.
A celebração teve início às 10h, enquanto uma multidão ainda avançava pela Avenida de Maio em direção à Praça de Maio, carregando bandeiras, santinhos e terços.
Entre os presentes, estavam representantes de clubes paroquiais de diversos bairros, que destacaram o vínculo e a influência do Papa em suas comunidades. Bispos e padres de diferentes províncias argentinas também viajaram até a capital para participar da missa.
À medida que a cerimônia prosseguia, o silêncio dominou o local da cerimônia. Fiéis acompanhavam a celebração em pé ou acomodados em cadeiras instaladas diante do altar. Do palco, o Arcebispo dirigiu palavras de forte impacto emocional. Com a voz embargada em alguns momentos, ele expressou a dor comum sentida pela ausência de Francisco.
Durante seu discurso, o líder religioso destacou os ensinamentos do Papa Francisco, recordando a mensagem do Santo Padre sobre a importância de não ter medo de chorar. Ele mencionou palavras do pontífice que marcaram sua trajetória, conforme divulgado pelo La Nacion.
''O mundo de hoje precisa chorar. Choram os marginalizados, choram os deixados de lado, choram os desprezados, mas nós, que vivemos uma vida mais ou menos sem necessidade, não sabemos chorar. Só certas realidades da vida são vistas com os olhos limpos pelas lágrimas. Convido cada um de vocês a se perguntar: aprendi a chorar? Aprendi a chorar quando vejo uma criança faminta, uma criança drogada na rua, uma criança sem-teto, uma criança abandonada ou abusada, uma criança usada pela sociedade como escrava? Este não é o choro caprichoso de alguém que chora porque gostaria de ter algo mais'', citou o arcebispo.