Ruanda e República Democrática do Congo (RDC) firmaram nesta sexta-feira (25) um acordo em Washington para traçar um caminho rumo à paz, em meio à escalada do conflito no leste congolês. A iniciativa contou com a intermediação dos Estados Unidos e estabelece a redação de um tratado definitivo até o dia 2 de maio, além de medidas para combater o apoio a grupos armados na região, relatou a agência Reuters.
A cerimônia foi acompanhada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que endossou o compromisso entre os dois países africanos, historicamente marcados por tensões e acusações mútuas de ingerência e apoio a milícias.
A ministra das Relações Exteriores do Congo, Therese Kayikwamba Wagner, fez uma declaração direta aos cidadãos congoleses durante a assinatura do acordo: ''Aos nossos compatriotas na República Democrática do Congo, especialmente no leste, sabemos que vocês estão assistindo a este momento''.
Já o ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Olivier Nduhungirehe, destacou que o acordo abre portas para um pacto de paz definitivo: ''Estamos discutindo como construir novas cadeias de valor econômicas regionais que conectem nossos países, inclusive com investimentos do setor privado americano".
De acordo com o documento assinado, a República Democrática do Congo e Ruanda se comprometeram a desativar redes de financiamento de organizações armadas e a implementar um mecanismo de segurança conjunta. Essa medida visa conter a crescente atuação do grupo rebelde M23, que tem intensificado seus ataques nos últimos anos
Estados Unidos e os minerais
O pacto de paz também representa benefícios estratégicos para os Estados Unidos, que devem investir bilhões para explorar áreas ricas em recursos minerais como ouro, tântalo, cobalto e lítio. Tanto Congo quanto Ruanda manifestaram interesse em estabelecer acordos separados com Washington para explorar esses recursos de maneira legal e transparente, num esforço para reduzir a dependência da mineração dominada por empresas chinesas.
''Uma paz duradoura na região dos Grandes Lagos abrirá as portas para maiores investimentos dos EUA e do Ocidente, o que trará oportunidades econômicas e prosperidade'', disse Rubio na cerimônia.
O governo de Donald Trump demonstrou entusiasmo após um senador congolês entrar em contato com autoridades americanas, neste ano, para propor um acordo envolvendo minerais em troca de segurança norte-americana.
- O Departamento de Estado afirmou que os EUA têm interesse na proposta e esperam que qualquer acerto envolva também parceiros do setor privado.
Conflitos no Congo
O conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) perdura há várias décadas, com um impacto devastador para a população local. A região, rica em recursos minerais, tem sido palco de intensas disputas entre diversos grupos armados, que competem pelo controle desses recursos. A crise começou após o genocídio em Ruanda, em 1994, quando milhares de refugiados hutus, incluindo milicianos, cruzaram a fronteira para o leste congolês, ampliando as tensões regionais.
O conflito gerou uma das maiores crises humanitárias do mundo, com mais de 7 milhões de pessoas deslocadas.