
China cancela maior compra de carne suína dos EUA desde 2020 e abre espaço para Brasil

A China cancelou, na última semana, a compra de 12,30 mil toneladas de carne suína dos Estados Unidos, o maior volume suspenso desde maio de 2020, segundo dados do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA), anunciados pela imprensa chinesa.
Analistas avaliam que o movimento integra uma resposta estratégica à guerra comercial em curso com Washington e pode beneficiar exportadores brasileiros.
Com tarifas elevadas e cortes nas importações agrícolas dos EUA, o governo chinês sinaliza que pretende reduzir sua dependência do mercado norte-americano. De acordo com Dexter Roberts, pesquisador do Atlantic Council, "Esta é uma resposta direcionada da China para atingir partes dos [EUA] que são republicanas". Ele também apontou como essa medida pode impactar produtores americanos: "Um ano ruim pode significar hipotecar a fazenda".
Alternativa para mercado chinês
O Brasil surge como um dos principais candidatos a ocupar o espaço deixado pelos produtores norte-americanos. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou que representantes da alfândega chinesa viriam ao Brasil em breve para discutir a ampliação das exportações de carne bovina. Segundo ele, "sem sombra de dúvidas", o país tem capacidade para suprir a demanda deixada pelos Estados Unidos e se consolidar como "grande fornecedor".

Desde antes da guerra tarifária, o Brasil já havia se destacado como principal exportador de alimentos para a China, ultrapassando os EUA, conforme lembrou o jornal Financial Times. No primeiro trimestre de 2025, as vendas de carne bovina brasileira cresceram 33% no mercado chinês. As exportações de carne de aves também aumentaram 19% em março.
A aproximação também se dá em outras áreas. A Great Wall Motors, montadora chinesa, confirmou planos de transformar o Brasil em "base estratégica" na América Latina. A instalação de fábricas no país deve gerar centenas de empregos, segundo a Agência Brasil China.
No âmbito dos BRICS, os países firmaram um acordo voltado à segurança alimentar e à recuperação de áreas degradadas. A proposta prevê ações coordenadas de conservação de solo e uso racional da água.
