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'Defenderemos a soberania do Paraguai custe o que custar', declara presidente do país

Santiago Peña defendeu ''medidas ousadas'' para garantir que o Paraguai se desenvolva, após acusações de espionagem brasileira contra a nação sul-americana.
'Defenderemos a soberania do Paraguai custe o que custar', declara presidente do paísGettyimages.ru / Jesus Hellin/Europa Press

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, sustentou na terça-feira (8) que seu país deve assumir uma postura firme na defesa de seus interesses, após serem divulgadas operações de espionagem realizadas pelo Brasil sobre o tratado de Itaipu.

''Devemos defender a soberania do Paraguai custe o que custar, é preciso manter-se firme quando a causa é correta'', afirmou em uma entrevista de rádio, acrescentando que muitas pessoas sentem ''medo'' de seus vizinhos, Brasil e Argentina, ''mas nós, paraguaios, devemos confiar em nós mesmos''.

Peña também indicou que não conversou com Lula, presidente brasileiro, após ser tornado público o caso, e que os diálogos estão sendo feitos pelas chancelarias das duas nações.

O mandatário argumentou que o ''caminho do desenvolvimento e progresso não é um caminho fácil'', e que ''medidas ousadas'' devem ser tomadas para permitir o avanço paraguaio. ''Esse cargo não é para covardes'', afirmou, defendendo decisões arriscadas ''em defesa'' do país.

Entenda o caso

Na última quinta-feira (3), o Ministério Público do Paraguai abriu um processo criminal para apurar a suposta invasão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) aos sistemas do governo paraguaio. A denúncia se baseia no depoimento de um servidor à Polícia Federal, o qual afirmou que as ações visavam obter dados sigilosos sobre negociações energéticas da usina de Itaipu.

Segundo o funcionário, foram acessados ​​sistemas do Congresso, da Presidência e de autoridades ligadas à negociação do Anexo C do Tratado de Itaipu.

Após a revelação do caso, o governo brasileiro confirmou a existência da operação, mas afirmou que ela foi autorizada durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2022, e encerrada pela gestão atual em março de 2023.

Santiago Peña já mencionou que o caso ''reabre essas velhas feridas'', citando a Guerra do Paraguai (1864-1870). O conflito resultou na morte de mais da metade da população paraguaia no período.