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Governo Lula nega envolvimento em suposta espionagem contra o Paraguai

O Itamaraty afirmou que operação da Abin foi autorizada no governo Bolsonaro , tendo sido suspensa após a atual gestão tomar conhecimento.
Governo Lula nega envolvimento em suposta espionagem contra o ParaguaiGettyimages.ru / Gabriel Rossi/LatinContent

O governo Lula afirmou que não tem ligação com uma operação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que teria invadido sistemas do governo do Paraguai para obter informações estratégicas sobre a Usina Hidrelétrica de Itaipu. A ação, revelada nesta segunda-feira (31), está sob investigação da Polícia Federal (PF).

De acordo com o depoimento de um agente da Abin à PF, a operação utilizou um software chamado Cobalt Strike, que permite a invasão de dispositivos eletrônicos. A ação teria sido programada ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e realizada durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), meses antes da renegociação do acordo entre os países, em 2024.

Em nota, o Palácio do Planalto negou o envolvimento da atual administração e declarou que "a operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato". O Itamaraty reforçou que o Brasil mantém uma relação de parceria com o Paraguai e que respeita os princípios diplomáticos.

A reportagem do portal UOL destacou que os ataques não partiram do Brasil, mas contaram com a atuação de agentes brasileiros no Chile e no Panamá. Os alvos incluíram o Senado e a Presidência do Paraguai.

O caso ganhou repercussão em meio às negociações sobre a tarifa da energia proveniente de Itaipu. Em maio de 2024, Brasil e Paraguai fecharam um acordo para manter o custo atual para os consumidores brasileiros, apesar da demanda paraguaia por um aumento.