
'Missão secreta' de Zelensky por apoio de Brasil e China é revelada pelo ex-premiê italiano

O ex-primeiro-ministro italiano Massimo D'Alema conduziu uma "missão secreta" a pedido do líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, com o objetivo de obter apoio do Brasil e da China.
A revelação foi feita pelo próprio político italiano em conversa com o ex-ministro Gianfranco Fini, segundo a imprensa italiana.
De acordo com D'Alema, Zelensky afirmou em uma conversa privada que seu país "corria o risco de um desastre", diante do temor de que Kiev fosse abandonada por seus aliados ocidentais.
"Os americanos vão se afastar mais cedo ou mais tarde, e os europeus não são confiáveis", disse o líder ucraniano, segundo o relato do ex-primeiro-ministro.

O político italiano foi, então, encarregado de viajar ao Brasil e à China para "ver se Lula e Xi Jinping poderiam fazer alguma coisa", detalhou.
Resultados da "missão secreta"
O esforço de D'Alema para envolver o Brasil no apoio à Ucrânia não teve sucesso, segundo ele mesmo relatou.
"Lula quase me expulsou, dizendo que a Ucrânia era um problema dos americanos e que eles deveriam cuidar disso", afirmou.
O presidente brasileiro também destacou que D'Alema "deveria estar interessado na Palestina" em vez de cumprir missão a pedido pelo líder do regime ucraniano.
Ao mesmo tempo, o ex-primeiro-ministro italiano afirmou que o governo chinês "tinha um plano", que, segundo ele, previa "uma força internacional, algo semelhante ao que aconteceu em Kosovo".
D'Alema revelou ainda que um político chinês com quem conversou fez uma observação que o surpreendeu: "Você é o primeiro europeu que veio falar conosco sobre isso; os outros apenas nos pedem para não apoiar a Rússia".
Posição do Brasil
Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, o Brasil tem mantido a posição de não fornecer armas ou tropas à Ucrânia, apesar dos apelos de países europeus.
Junto com a China, o Brasil lançou uma iniciativa de paz para tentar encerrar as hostilidades na Ucrânia.
No fim de maio do ano passado, durante a visita de Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, a Pequim, Brasil e China adotaram uma declaração conjunta traçando um plano para o fim do conflito, com ênfase na necessidade de negociações.
No fim de fevereiro deste ano, Lula reafirmou sua posição e declarou que "não venderá armas para matar russo ou qualquer outra pessoa".
Em 13 de março, em coletiva de imprensa, o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou a postura do governo brasileiro e seus esforços, junto a outros governos estrangeiros, para buscar uma solução diplomática para o conflito.
🇷🇺🇧🇷 #Putin agradece esforços de #Lula pela paz na UcrâniaDurante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o presidente russo expressou seu agradecimento pelos esforços de líderes do Sul Global em prol da paz.🔗Confira os detalhes: https://t.co/V1Hq3wYohKpic.twitter.com/PzPP27nkn4
— RT Brasil (@rtnoticias_br) March 13, 2025