Notícias

Autópsia de Maradona revela novos detalhes sobre sua morte

Um dos médicos que examinou o corpo do astro após sua morte testemunhou no tribunal nesta quinta-feira.
Autópsia de Maradona revela novos detalhes sobre sua morteLegion-Media / Ricardo Pristupluk

Uma nova audiência foi realizada nesta quinta-feira em San Isidro, na província argentina de Buenos Aires, como parte do julgamento que investiga a morte de Diego Armando Maradona. Ela contou com o testemunho de um dos médicos que realizou a autópsia no corpo do lendário jogador após sua morte, que ocorreu em 25 de novembro de 2020.

Carlos Mauricio Cassinelli, policial e profissional de saúde com mais de 8.000 autópsias realizadas em sua carreira, disse em seu depoimento que o ex-campeão mundial de futebol tinha "muita água nos pulmões" e um coração dilatado, informou o La Nación.

Cassinelli revelou que Maradona não teve uma morte súbita; ele ficou em agonia por 12 horas e seu coração pesava 503 gramas: o dobro do peso normal para uma pessoa da sua idade.

Fluido no corpo

O profissional detalhou ainda que o argentino tinha 4,5 litros de líquido distribuídos em diferentes órgãos. Desses, três litros de água estavam concentrados apenas no abdômen, segundo a testemunha. Meio litro estava em cada pulmão, e o restante na cabeça.

De acordo com o médico, a formação de líquido no corpo não acontece em uma hora, mas aos poucos. Cassinelli sugeriu que isso poderia ter começado quando Maradona deixou a clínica onde havia sido tratado de um hematoma subdural na cabeça e continuou até sua morte.

Na sala de audiências do Tribunal Oral Criminal (TOC) N°3 de San Isidro, o procurador-geral Cosme Iribarren perguntou ao médico da autópsia:"Foi uma condição súbita, aguda e inesperada?

Cassinelli respondeu: "Eu diria que não, estava ganhando água com o passar dos dias. Era previsível. Não foi uma morte súbita, aguda e não planejada".

Descuido

O caso busca estabelecer se a equipe de médicos e enfermeiros encarregada da recuperação de Maradona antes de sua morte era responsável por seus cuidados diários em sua casa em Tigre, Buenos Aires.

No total, sete pessoas foram acusadas de homicídio culposo: uma acusação baseada na suposta negligência dos profissionais responsáveis por seus cuidados.

A esse respeito, um dos advogados do processo perguntou ao médico se os sintomas deveriam ter sido percebidos pela equipe, especialmente pelas enfermeiras. A resposta foi afirmativa.

Entre outros detalhes assustadores que mostram o estado do corpo de Diego Maradona, Cassinelli disse que sua massa cerebral estava muito congestionada, edematosa, devido à água, e que seu cérebro estava mais pesado do que o normal.

Ele também revelou que Maradona morreu em decorrência de "edema pulmonar agudo secundário à insuficiência cardíaca crônica exacerbada", ao detectar "cardiomiopatia dilatada".