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Plano de rearmamento da UE enfrenta resistência

Os países do sul da Europa expressaram oposição à proposta de aumento de gastos militares por meio de empréstimos, diz uma mídia norte-americana.
Plano de rearmamento da UE enfrenta resistênciaGettyimages.ru / NurPhoto / Contributor

Os Estados do sul da Europa têm resistido ao plano da União Europeia de aumento de gastos militares por meio de empréstimos pois isso poderia piorar o problema do endividamento desses países, informou o Politico na quarta-feira (26).

O chamado "ReArm Europe Plan", revelado este mês pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prevê até 800 bilhões de euros em dívidas e incentivos fiscais para o complexo industrial-militar do bloco. A proposta inclui um pacote de empréstimos de 150 bilhões de euros e uma cláusula de emergência para afrouxar as regras fiscais da UE.

De acordo com diplomatas da UE que não quiseram se identificar, alguns países têm "sérias dúvidas" sobre a possibilidade de assumir dívidas adicionais. França, Itália e Espanha têm defendido a concessão de subsídios - ou os chamados "títulos de defesa" - em vez de empréstimos.

Esses títulos exigiriam empréstimos conjuntos da UE nos mercados de capitais, uma medida que necessita da aprovação unânime de todos os 27 Estados-membros.

Até o momento, Von der Leyen tem evitado apoiar a ideia, pois teme a oposição de países como a Alemanha e a Holanda, que, por sua vez, têm o receio de que isso possa abrir um precedente para a dívida compartilhada do bloco.

"Nada de Eurobônus", disse o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, após uma recente cúpula de líderes da UE.

A Itália e a Espanha também pediram uma definição mais ampla dos gastos militares isentos dos limites fiscais da UE. Madri propôs incluir o controle de fronteiras, segurança cibernética e o fortalecimento da infraestrutura na lista de gastos.

A França não planeja acionar a cláusula de emergência, disseram dois diplomatas da UE, citando o receio sobre as reações do mercado e sua relação dívida/PIB acima de 110%.

No entanto, as economias mais fracas do bloco europeu se mostram preocupadas diante de possibilidade de solicitar empréstimos à UE, pois isso poderia sinalizar vulnerabilidade financeira, bem como aumentar os custos dos empréstimos.