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Documentos secretos britânicos revelam plano do Egito para criar Estado palestino nos anos 50

O plano, liderado por Gamal Abdel Nasser, previa transformar Gaza em um Estado palestino para unificar árabes contra a ocupação israelense, mas enfrentou oposição do Reino Unido.
Documentos secretos britânicos revelam plano do Egito para criar Estado palestino nos anos 50Gettyimages.ru / Terry Fincher / Stringer

Documentos confidenciais britânicos, divulgados pelos Arquivos Nacionais do Reino Unido, revelaram um plano do Egito, liderado pelo então presidente Gamal Abdel Nasser, para criar um Estado palestino após a agressão tripartida contra o país em 1956, realizada por Israel, Reino Unido e França.

Criação de um Estado palestino

Os documentos indicam que que Nasser propôs a formação de um Estado palestino que se estendesse a partir de Gaza, como um passo para unir os esforços árabes contra a ocupação israelense, com planos de nomear o mufti palestino Amin al-Husseini como presidente do estado proposto.

O plano egípcio surgiu após a retirada das tropas israelenses de Gaza e do Sinai em março de 1957, devido à pressão internacional dos Estados Unidos e da União Soviética.

Os arquivos também revelam a forte oposição britânica à ideia, com Londres chamando-a de "movimento extremo", que poderia fortalecer a influência de Nasser na região.

Conflito na Faixa de Gaza  

A Faixa de Gaza, sob administração egípcia desde 1948, passou por grandes transformações após a Agressão Tripartida, quando Israel a ocupou por quatro meses, entre novembro de 1956 e março de 1957, desencadeando a Guerra de Suez.

Naquele período, massacres mataram centenas de pessoas, incluindo o massacre de Khan Yunis, em 3 de novembro de 1956, no qual 275 palestinos foram mortos por Israel.

Após a retirada israelense, o Egito fortaleceu sua presença em Gaza ao restabelecer novas estruturas administrativas, como o Conselho Legislativo Palestino, em março de 1958, na tentativa de reorganizar a vida política e militar na região.

Reação do Reino Unido  

Os documentos também revelam que Abdel Nasser via Gaza como um ponto de partida para a mobilização da resistência palestina, supervisionando o treinamento de fedayin (grupos militares dispostos a se sacrificar por uma causa maior). Isso gerou preocupação em Israel, que aumentou suas operações contra Gaza.

Os arquivos mostram ainda temores britânicos de que a declaração de um Estado palestino fortalecesse a posição egípcia, especialmente após o sucesso de Nasser em desafiar o Reino Unido e a França na crise de Suez, o que levou Londres a pressionar a ONU para encerrar o projeto.