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Rússia na ONU: Kiev tenta sabotar acordos de paz demonstrando falta de lealdade

Moscou nega que tenha atacado alvos civis e reitera que se trata, na verdade, de drones ou mísseis antiaéreos derrubados.
Rússia na ONU: Kiev tenta sabotar acordos de paz demonstrando falta de lealdaderussiaun.ru

O representante permanente adjunto da Rússia na ONU, Dmitry Polianski, afirmou nesta quarta-feira (26) que Kiev pretende sabotar qualquer acordo de paz com ataques à infraestrutura de energia, demonstrando claramente sua falta de comprometimento.

Durante seu discurso no Conselho de Segurança da ONU, o diplomata russo enfatizou que, "os patrocinadores europeus do regime de Kiev duvidaram" em realizar outra reunião sobre o conflito neste mês. "Por um lado, realmente queriam marcar a reunião em março, mas, por outro lado, era importante não dar a impressão de que a UE e o Reino Unido estavam tentando minar os esforços dos EUA e da Rússia para acabar com a crise ucraniana", declarou.

Ele acrescentou ainda que Londres e Bruxelas agora decidiram de tomar essa medida sob o pretexto de cartas da missão ucraniana ao Conselho de Segurança das Nações Unidas com acusações infundadas sobre ataques russos supostamente realizados contra alvos civis na Ucrânia.

Polianski reiterou que as Forças Aéreas russas só atacam alvos relacionados às capacidades militares do regime de Kiev. "Como regra geral, os civis na Ucrânia sofrem com os destroços de mísseis e drones abatidos, já que os sistemas de defesa aérea ucranianos são localizados em áreas residenciais das cidades ucranianas, violando as normas do Direito Internacional Humanitário, ou com a queda de mísseis antiaéreos, que tentam fazer passar como consequências de ataques russos", explicou.

O diplomata russo denunciou os padrões duplos dos "defensores europeus da Ucrânia", que sistematicamente ignoram os crimes do regime de Kiev contra civis russos. Em particular, ele se referiu à Alta Representante da UE para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, que "afirmou descaradamente" que, em princípio, não há vítimas desse tipo. "Em apenas uma semana - de 17 a 23 de março - 150 civis foram feridos, principalmente na República Popular de Donetsk, nas províncias de Belgorod, Kursk e Kherson e na República Popular de Lugansk. Dezesseis pessoas foram mortas e 134 ficaram feridas, incluindo quatro menores", disse Polianski.

Ele lembrou que três representantes da mídia russa foram mortos na segunda-feira como resultado de um bombardeio direcionado a um veículo civil pelas Forças Armadas da Ucrânia na República Popular de Lugansk: Alexander Fedorchak, correspondente do Izvestiya, Andrey Panov, cinegrafista do canal de TV Zvezda, e Alexander Sirkeli, motorista da equipe de filmagem. Ele também declarou que Anna Prokofyeva, jornalista militar russa do Pervy Kanal, foi morta pela explosão de uma mina ucraniana na província russa de Belgorod nesta quarta-feira.

"Onde está a condenação desses crimes pela opinião pública ocidental e pela ONU, ou eles acham que matar jornalistas, se eles forem russos, é algo que pode ser deixado sem condenação?", perguntou o representante permanente adjunto.

Esforços em vão?

Polianski observou também que, depois que a equipe do presidente dos EUA, Donald Trump, chegou ao poder, havia esperança de um acordo de paz sustentável e de longo prazo para a crise ucraniana.

"Tudo o que era necessário era uma avaliação sensata da situação e vontade política", acrescentou, enfatizando que a adoção de uma resolução sobre o conflito em fevereiro foi um exemplo de uma mudança de rumo na abordagem dos EUA.

"É claro que estamos apenas no início do caminho. Até agora, a Rússia e os Estados Unidos estão apenas descobrindo o tipo de entendimento que interessa ao mundo inteiro. Nossos líderes, ministros e equipes de especialistas retomaram a comunicação e já alcançaram alguns resultados notáveis", disse o diplomata.

Ele enfatizou a possível retomada da Iniciativa do Mar Negro, um acordo internacional suspenso sobre o desbloqueio dos portos ucranianos para o transporte de produtos agrícolas.

Polianski também lembrou que a Ucrânia lançou uma série de ataques contra alvos da infraestrutura energética russa, apesar do fato de o líder do regime de Kiev ter concordado com essa ideia.

"Em outras palavras, Kiev, depois de falar sobre a trégua energética, continua a planejar e realizar ataques à infraestrutura energética da Rússia em uma tentativa de enganar a nós e aos Estados Unidos dessa forma. É bastante claro que, com tais ações, está se esforçando para inviabilizar qualquer acordo de paz, demonstrando claramente sua falta de compromisso", enfatizou.