
União Europeia quer seus cidadãos preparados para guerra

A União Europeia (UE) está orientando seus cidadãos a se prepararem para possíveis crises futuras, incluindo conflitos armados, pandemias, desastres climáticos e ataques cibernéticos, entre outros eventos imprevistos.
As informações foram divulgadas pelo jornal El País, que teve acesso ao documento preliminar que será apresentado nesta quarta-feira (26) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Segundo as diretrizes, Bruxelas recomenda que todas as famílias mantenham um estoque básico de emergência, incluindo água, alimentos, medicamentos essenciais e baterias suficientes para sobreviver por pelo menos 72 horas no caso de uma guerra ou outra catástrofe.
"Devemos nos preparar para incidentes e crises intersetoriais de grande escala, incluindo a possibilidade de agressão armada, afetando um ou mais Estados membros (...) Em um contexto de aumento dos riscos naturais e antropogênicos, e deterioração das perspectivas de segurança para a Europa, é urgente que a UE e seus Estados membros reforcem seu preparo", diz parte do documento que faz parte da "Estratégia de Preparação da UE".
"Conscientização pública"
O plano se baseia em um relatório elaborado por Sauli Niinistö, ex-presidente finlandês, que enfatizou a necessidade de aumentar a conscientização pública sobre os riscos, promover a autossuficiência e permitir que o público desempenhe um papel ativo na preparação para crises.

"Seja diante de condições climáticas extremas, uma pandemia, uma queda de energia em larga escala, as consequências de um grande ataque cibernético ou até mesmo uma agressão armada, os cidadãos devem estar preparados para agir de forma autossuficiente em primeira instância até que a ajuda seja mobilizada ou os serviços sejam restaurados", diz o relatório.
Menos 10% da população europeia está pronta
Para atingir esses objetivos, Bruxelas criará uma plataforma digital para que os cidadãos e viajantes tenham informações sobre os riscos e as opções disponíveis no caso de uma crise, de acordo com o esboço da estratégia.
De acordo com uma pesquisa, 47% dos lares europeus têm fontes de luz alternativas, como tochas ou velas, 36% têm medicamentos básicos para emergências, 29% têm estoques de alimentos e bebidas e 20% têm um suprimento emergencial de água para cozinhar e higiene.
No entanto, dados apontam que menos de 10% estão verdadeiramente preparados para tomar decisões rápidas em situações de emergência.