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Europa deve se voltar à América Latina em busca de 'influência política', afirma Borrell

"Não há nada mais parecido com um europeu do que um latino-americano", declarou o ex-alto representante da União Europeia.
Europa deve se voltar à América Latina em busca de 'influência política', afirma BorrellGettyimages.ru / NurPhoto

O ex-alto representante da União Europeia (UE) para Relações Exteriores, Josep Borrell, sugeriu que os países do bloco europeu direcionem sua atenção estratégica para a América Latina.

A sugestão ocorre em meio à postura de distanciamento com a Europa adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Agora que Trump está nos dizendo, europeus: 'não contem comigo', talvez a Europa precise reforçar suas relações com outros atores — e esses 'outros' são, em particular, os países latino-americanos", declarou Borrell em entrevista à agência EFE, na terça-feira (25).

De acordo com Borrell, as duas regiões compartilham afinidades históricas e culturais. "Não há nada mais parecido com um europeu do que um latino-americano", disse, acrescentando que a Europa e a América Latina possuem "séculos de herança compartilhada".

No entanto, alertou que um relacionamento tão próximo significa que os dois lados "não prestam muita atenção um ao outro".

Ausência europeia no "triângulo do lítio"

Josep Borrell destacou que a União Europeia não pode depender exclusivamente dos Estados Unidos para consolidar sua "influência política" na América Latina.

O ex-alto representante do bloco também expressou preocupação com a ausência europeia no "triângulo do lítio" — área que abrange Argentina, Bolívia e Chile, detentoras das maiores reservas mundiais desse mineral crucial para a transição energética e a indústria tecnológica. Enquanto a China avança na região, a UE ainda não estabeleceu uma estratégia consolidada para o setor, lamentou.

Borrell defendeu que o bloco europeu aproveite as cúpulas bilaterais com países latino-americanos para aprofundar laços políticos e comerciais. "O contato entre as pessoas é fundamental. Depois vêm os governos e as cúpulas", afirmou.