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Maduro acusa EUA de criar campos de concentração

O presidente venezuelano condenou o envio de imigrantes para El Salvador, criticou Trump por usar lei da Segunda Guerra e promete denunciar caso na ONU.
Maduro acusa EUA de criar campos de concentraçãoGettyimages.ru

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou a deportação de mais de 200 venezuelanos para El Salvador como um "ato de agressão contra a migração latino-americana e caribenha", e "o maior ato de inimizade" contra os povos da região. Washington acusa os deportados de integrarem a organização criminosa Tren de Aragua, sem apresentar provas ou conduzir um processo judicial.

"A proclamação assinada no último sábado, 14 de março, é uma expressão totalmente anacrônica e ilegal de agressão contra a nacionalidade venezuelana. Descrever os migrantes venezuelanos como criminosos, terroristas e assassinos é o ato de maior inimizade, de maior injustiça já cometido pelos EUA contra um povo da América Latina e do Caribe, e acredito que contra qualquer povo do mundo", afirmou Maduro em seu programa "Con Maduro +".

Maduro criticou o uso da Lei dos Inimigos Estrangeiros por Donald Trump, dizendo que a norma contraria legislações nacionais e internacionais e não era aplicada desde a Segunda Guerra Mundial, quando os EUA confinaram famílias japonesas em campos de concentração. "Foi um constrangimento, uma marca na institucionalidade americana. Essa lei foi vetada pela própria institucionalidade americana", declarou.

"Passo fracassado"

Para Maduro, ao criminalizar e deportar imigrantes venezuelanos para um terceiro país, a Casa Branca deu "um passo fracassado". "Nossos imigrantes não são criminosos, não são assassinos, são pessoas boas", disse.

Ele afirmou que denunciará o caso aos órgãos internacionais, incluindo as Nações Unidas e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, para garantir a proteção de venezuelanos nos EUA e em outros países.

"Não pode ser que uma pessoa, por ser venezuelana, seja capturada, sequestrada, sem direito a defesa, sem direito ao devido processo, sem sentença; que seja colocada em um campo de concentração nos EUA e enviada para campos de concentração em El Salvador", declarou.

Críticas a Bukele

Maduro também direcionou críticas ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, questionando sua posição sobre o caso.

"Pergunto ao presidente Nayib Bukele: O senhor vai proteger essa crueldade, essa injustiça, sem direito a qualquer processo, de criar campos de concentração e colocar nobres migrantes, trabalhadores, pessoas de bem, sem julgamento, sem terem cometido crimes em El Salvador, sem qualquer tipo de pena emitida por um tribunal em El Salvador? Isso é legal? É justo? É humano?", disse.

Ao comparar sua posição com a dos EUA e de El Salvador, Maduro afirmou que a verdadeira justiça seria garantir o devido processo às pessoas acusadas de crimes.