
Reino Unido: Juíza da ONU é condenada em julgamento por escravidão

A juíza Lydia Mugambe, que atuava no Tribunal Penal Internacional da ONU e no Tribunal Superior de Uganda, foi considerada culpada no Reino Unido de reduzir uma jovem à condição de escrava doméstica. O veredito foi anunciado pelas autoridades britânicas nesta quinta-feira (13).
Os promotores argumentaram que Lydia Mugambe enganou a vítima para que ela viajasse de Uganda para o Reino Unido sob a falsa promessa de um emprego formal.
Chegando ao país, a mulher foi obrigada a trabalhar sem remuneração como empregada doméstica e babá, além de ter tido seu passaporte e visto confiscados, impedindo-a de buscar ajuda ou deixar o local.
Condenação e acusações
O júri condenou Mugambe por violar a legislação de imigração britânica, facilitar viagens para exploração humana, submeter a vítima a trabalho forçado e conspirar para intimidar testemunhas.
"Lydia Mugambe explorou e abusou [da vítima], aproveitando-se de sua falta de conhecimento sobre seus direitos a um emprego devidamente remunerado e enganando-a quanto ao propósito de sua vinda ao Reino Unido", declarou a advogada de acusação Caroline Haughey KC durante julgamento.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a ré negou ter forçado a vítima a realizar tarefas domésticas, afirmando que "sempre" a tratou com amor, carinho e paciência.
No entanto, a jovem, cuja identidade permanece protegida por razões legais, testemunhou no tribunal dizendo que se sentia "solitária" e presa depois de vir para o Reino Unido.
Mugambe tentou reivindicar imunidade diplomática durante sua prisão, citando seus cargos como juíza em Uganda e na ONU. No entanto, as Nações Unidas destituíram a magistrada de qualquer imunidade legal que ela pudesse ter, permitindo que os procedimentos legais prosseguissem.
A sentença da ré está marcada para 2 de maio. De acordo com a legislação do Reino Unido, os crimes de escravidão moderna acarretam em penalidades severas, podendo até mesmo chegar à prisão perpétua.