
Inteligência alemã escondeu provas da origem da Covid-19 por anos, sugere imprensa

Já nos primeiros dias da pandemia a agência de inteligência estrangeira da Alemanha (BND) obteve evidências de que a Covid-19 se originou em um laboratório, revelaram os jornais Die Zeit e Sueddeutsche Zeitung (SZ) na quarta-feira (12).
As autoridades alemãs decidiram manter a conclusão em segredo por medo de um possível erro e de consequências políticas, detalharam os veículos, citando sua própria investigação.
Análise aprofundada
O BND enviou uma equipe de especialistas para investigar as origens do vírus nas primeiras semanas de 2020, segundo o relatório.

Eles se concentraram em agências governamentais e instituições científicas chinesas, incluindo o laboratório de Wuhan, onde supostamente descobriram documentos que a mídia alemã descreve como "fascinantes e explosivos".
As descobertas da agência de inteligência alemã supostamente incluíram dados sobre experimentos com coronavírus, bem como uma série de estudos não publicados de 2019 a 2020, incluindo aqueles que tratam dos efeitos do coronavírus no cérebro humano.
"O material sugere que uma quantidade excepcionalmente grande de dados sobre o vírus supostamente novo estava disponível em Wuhan em um estágio extremamente inicial", informou o Die Zeit.
Os materiais teriam sido avaliados por uma equipe de analistas do BND liderada por um virologista.
A equipe comparou os dados com estudos disponíveis publicamente e materiais obtidos de outras nações e concluiu que "entre 80 e 95% de certeza" a Covid "provavelmente se originou em um laboratório chinês".
O BND aparentemente acreditava que o surto foi causado por um acidente decorrente de regras de segurança negligentes no laboratório de Wuhan.
Escondido pelo governo
Os resultados foram apresentados ao governo da ex-chanceler Angela Merkel, mas o governo ficou cético e decidiu não compartilhar as informações com ninguém, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o parlamento alemão, de acordo com a mídia.
Segundo os relatos, Berlim temia possíveis complicações nas relações com Pequim e Washington.
O governo do chanceler Olaf Scholz, que sucedeu o de Merkel, também não considerou as conclusões do BND suficientemente convincentes e, inicialmente, decidiu mantê-las em sigilo.
Foi somente no final de 2024 que o BND foi autorizado a compartilhar suas descobertas com a CIA e um grupo cuidadosamente selecionado de cientistas, de acordo com os veículos de comunicação.
Após a investigação dos jornais SZ e Die Zeit, as autoridades alegaram que iriam compartilhar as descobertas do BND com o parlamento alemão e a OMS e divulgar alguns materiais relacionados à avaliação científica das conclusões da agência para o público em algum momento no futuro.