
Justiça romena rejeita recurso de candidato anti-OTAN para concorrer às eleições

Os juízes do Tribunal Constitucional rejeitaram nesta terça-feira um recurso do candidato presidencial Calin Georgescu para contestar a decisão das autoridades eleitorais de proibi-lo de participar das novas eleições programadas para maio, informou a mídia local.
Desse modo, a decisão da Comissão Eleitoral Central de invalidar sua candidatura continua válida e definitiva.
De acordo com as autoridades eleitorais, a decisão é justificada pelas questões "já decididas" pelo Tribunal Constitucional e, portanto, os candidatos à presidência devem "respeitar a Constituição e defender a democracia".
O presidente do partido Aliança para a União dos Romenos (AUR), George Simion, classificou a decisão do tribunal como uma "vergonha". "Mais uma vez, o Tribunal Constitucional está zombando do povo romeno, atacando nossa democracia e nossos direitos e liberdades essenciais", escreveu em sua conta no X, expressando apoio a Georgescu.

Em vista dessa situação, se Georgescu e os partidos que o apoiam, como o AUR, quiserem registrar outro candidato para as eleições de maio, terão de apresentar o processo de candidatura e a lista com o mínimo de 200.000 assinaturas até 15 de março, à meia noite, prazo imposto pelo calendário eleitoral.
Na segunda-feira, Georgescu decidiu contestar a decisão das autoridades eleitorais de impedi-lo de concorrer às novas eleições depois que elas se recusaram a registrar sua candidatura. Na capital, Bucareste, houve protestos em massa a favor do político da oposição, além de confrontos com a polícia.
Reagindo à decisão, o próprio Georgescu declarou que se tratava de um "golpe direto no coração da democracia mundial". "Só me resta uma mensagem! Se a democracia na Romênia cair, todo o mundo democrático cairá! Isso é apenas o começo", disse. "A Europa agora é uma ditadura, a Romênia está sob tirania", acrescentou.
- Georgescu ganhou o primeiro turno das eleições, que ocorreram em novembro do ano passado. Após sua vitória, alguns o rotularam como pró-russo e alegaram uma suposta interferência de Moscou nas eleições. No entanto, a Agência Nacional de Administração Fiscal da Romênia descartou essa hipótese.
- Em dezembro, os resultados foram anulados e começou a perseguição política ao candidato em questão. No final de fevereiro, Georgescu foi detido pelas autoridades romenas e posteriormente colocado em liberdade condicional com restrições de movimento.
- O político expressou suas críticas à OTAN e denunciou que a Aliança Atlântica está tentando usar seu país como uma "porta de entrada" para uma Terceira Guerra Mundial contra a Rússia.