
Por que os jovens de hoje não são felizes?

O nível de satisfação e felicidade entre os jovens adultos diminuiu drasticamente nos últimos 10 anos. É o que revela um estudo publicado pelo Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA, que examinou as tendências do bem-estar psicológico de pessoas em seis países de língua inglesa (Austrália, Irlanda, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e EUA).
Os acadêmicos Jean Twenge e David Blanchflower, após analisar vários conjuntos de microdados em cada uma dessas nações, descobriram um declínio “mais forte” na saúde mental entre as pessoas com menos de 25 anos.
"Isso é consistente com pesquisas anteriores sobre aumentos mais acentuados de depressão e saúde mental precária entre adolescentes e adultos jovens", diz a pesquisa.

Esse declínio no bem-estar psicológico está causando uma alteração no padrão de felicidade ao longo da vida, que se baseia na teoria da curva em U, documentada em centenas de artigos. Tal teoria afirma que os seres humanos começam a vida com um alto grau de satisfação, que diminui gradualmente a partir dos 18 anos de idade, atingindo seu ponto mais baixo por volta dos 40 anos - no que é conhecido como crise da meia-idade - e depois volta a aumentar após os 50 anos.
"A forma de U no bem-estar por idade, que costumava existir nesses países, agora desapareceu, substituída por uma crise de bem-estar entre os jovens", de acordo com os autores do estudo. Em outras palavras, a crise da meia-idade está ocorrendo agora em meio à juventude, sugerindo que aqueles que estão nessa fase estão tendo mais dificuldades do que as pessoas das gerações anteriores.
Os especialistas descobriram que "a felicidade agora aumenta de forma bastante constante com a idade". "Nos últimos anos, o declínio do bem-estar psicológico foi mais fraco entre os adultos com mais de 50 anos", relata o documento.
O que está acontecendo?
Twenge e Blanchflower argumentam que essa insatisfação entre os jovens e, principalmente, entre as mulheres jovens, na última década, coincide com o surgimento dos "smartphones e das redes sociais". O "declínio da interação social presencial", uma tendência paralela ao crescimento do uso da Internet, estaria impulsionando esse fenômeno, pois a forma como os jovens adultos se socializam e se comunicam mudou.
O aumento das dificuldades econômicas, a instabilidade no emprego, o cenário político e social global, e até mesmo a crise climática, também podem estar desempenhando um papel fundamental nessa ausência prematura de felicidade.
Esse colapso no bem-estar dos jovens pode ter enormes consequências sociais e econômicas, alerta Blanchflower. "Acho que não há dúvida de que estamos enfrentando uma crise global absoluta. Os jovens estão em profunda agitação e em sérios problemas".
Embora os fatores que alimentam a infelicidade dos jovens pareçam claros, os especialistas não conseguem encontrar soluções. O estudo sugere que as razões por trás disso precisam ser mais exploradas. "A questão é o que podemos fazer a respeito. Não sabemos [...]. Sempre pensamos que, à medida que a vida se torna mais realista, a felicidade diminui por causa das pressões, mas depois percebemos que a vida não é tão ruim assim. Precisamos repensar todas essas ideas", diz Blanchflower.