
Hungria proibirá desfiles LGBT, declara Orban

Paradas do orgulho LGBT* não serão mais permitidas nas ruas de Budapeste, declarou o primeiro ministro húngaro Viktor Orban em uma entrevista à rádio local nesta sexta-feira (28). Ele argumentou que tais eventos são prejudiciais às crianças.
Em declarações à Rádio Kossuth, Orbán afirmou que a única razão pela qual os eventos LGBT* ocorreram na capital foi a liderança do ex-embaixador americano David Pressman, "o que deixa claro que as grandes potências do mundo apoiam isso".

"Mas agora houve uma mudança no mundo", observou Orban. Ele acrescentou que, desde que Pressman deixou o país em janeiro, antes da posse do presidente dos EUA, Donald Trump, as paradas do Orgulho "não estão mais sob proteção internacional".
"Então, esse tipo de coisa não existe mais. Acabou agora", disse Orban, acrescentando que tais eventos "eram desnecessários antes também".
O primeiro-ministro húngaro enfatizou ainda que eventos como a "Parada do Orgulho" vão contra a "oportunidade para o desenvolvimento saudável e equilibrado de nossos filhos, conforme desejado por seus pais", ressaltando que, apesar da imensa pressão do mundo ocidental, a maioria das pessoas na Hungria não cedeu à "loucura" de gênero e ainda acreditam que existem apenas dois gêneros.
Durante o discurso feito no último sábado, Orban também sugeriu que os organizadores do Orgulho na Hungria "não deveriam se preocupar em se preparar" para o evento, inicialmente agendado para junho, argumentando que seria "uma perda de tempo e dinheiro".
Na quinta-feira, o chefe de gabinete de Orban, Gergely Gulyas, também declarou durante uma coletiva de imprensa que a Hungria "não precisa tolerar a marcha do Orgulho pelo centro de Budapeste" e que o evento não será mais realizado "na forma pública em que o conhecemos nas últimas décadas". Anteriormente, ele sugeriu que o Orgulho deveria ser realizado em um "local fechado".
Os organizadores do evento LGBT responderam à ameaça de Orban de encerrar o evento emitindo uma declaração de que ainda planejam realizá-lo, argumentando que a ação se tornaria um "teste decisivo para a democracia húngara", informaram a imprensa.
Em 2021, a Hungria atualizou suas leis de proteção à criança para proibir a promoção de tópicos LGBT na mídia, publicidade e materiais educacionais acessíveis a menores. A medida provocou uma reação negativa em Bruxelas, que iniciou uma ação legal contra Budapeste. O caso foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Europeu, o qual congelou bilhões em fundos da UE destinados à Hungria pelo que alegou serem violações de direitos humanos fundamentais.
*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.